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Se elas estivessem comigo, elas estariam vivas, diz avô de gêmeas que morreram em intervalo de oito dias no RS

Irmãs chegaram a morar com os avós após monitoramento do Conselho Tutelar em alguns municípios. Mãe das meninas está presa temporariamente por suspeita de envolvimento nas mortes

Publicada em 18/10/2024 as 06:56h por Por Vítor Rosa, RBS TV
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 (Foto: Reprodução)

A menina Antonia Pereira, de seis anos, que morreu oito dias após a irmã gêmea, Manuela, foi velada e enterrada na quinta-feira (17), em Igrejinha, a 90 km de Porto Alegre. A mãe das crianças está presa temporariamente por suspeita de envolvimento nas mortes. A polícia suspeita de envenenamento.

 

O túmulo de Antonia fica ao lado de onde está o corpo de Manuela, no Cemitério Municipal de Igrejinha. O avô materno das crianças, Manoel da Cunha Dias, acompanhou a cerimônia.

 

O idoso foi responsável pela guarda das meninas por oito meses, no município vizinho de Taquara. Nessa época, os pais das garotas estavam separados, em uma das idas e vindas de um relacionamento de mais de duas décadas. O aposentado afirmou que precisou entregar as crianças aos pais por ordem da Justiça.

 

"Se elas estivessem comigo, elas estariam vivas hoje. Com certeza. Eu teria cuidado, porque eu sempre cuidei delas bem", diz o avô.

 

Segundo Manoel, Antonia teria sentido mais a mudança para a casa dos pais. "Ela era pequenininha, se agarrou nas minhas duas pernas e chorava gritando: 'vovô, não deixa me levar, não deixa me levar, não quero sair daqui'", relata.

 

"Eram meus 'bichinhos'. Entravam nesse portão correndo: 'vovô, vovô'. Me abraçavam, bejIavam, grudavam no meu pescoço", lembra o avô.

 

O convívio das gêmeas com os avós era frequente. Em diversos episódios, as meninas tiveram a situação monitorada pela rede de proteção a crianças e adolescentes.

 

Antonia e Manuela foram morar com o avô depois que a mãe, filha de Manoel, perdeu a guarda das crianças em Santa Maria, na Região Central. Isso ocorreu porque a mãe teria deixado a filha com uma vizinha. Elas também chegaram a viver com o avô em razão de problemas de saúde da mãe.

 

Em dezembro de 2021, o Conselho Tutelar de Xangri-Lá, no Litoral Norte, informou que fez um atendimento a Manuela, Antônia e uma irmã mais velha após uma ocorrência policial. Na época, elas foram retiradas do pai e também levadas para os avós.

 

O Conselho Tutelar de Igrejinha não tinha relatos de denúncias contra a família. O órgão afirmou que passou a monitorar as meninas em 2022, quando elas foram morar na cidade. As gêmeas estavam matriculadas na escola, tinham frequência regular e não havia sinais de maus-tratos ou violência.

 

Nesta quinta, o Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente de Igrejinha instaurou uma comissão para apurar eventual falha na assistência da rede. O Ministério Público disse que está acompanhando o caso.

 

A Polícia Civil acredita que a mãe das meninas esteja envolvida na morte das gêmeas. Gisele Beatriz Dias, de 42 anos, está presa temporariamente sob suspeita de duplo homicídio. A prisão tem prazo de 30 dias. O g1 tenta contato com a defesa dela.

 

A investigação apura se a causa da morte das meninas foi envenenamento. Não foram encontrados sinais aparentes de violência nos corpos. Médicos que atenderam as crianças relataram, em depoimento, a suspeita de intoxicação por medicamento ou veneno porque as duas tiveram quadros de hemorragia.

 

"Neste momento, nós temos a convicção de que foi a mãe. A probabilidade maior é de que elas tenham sofrido um envenenamento ou uma intoxicação com uma dose muito grande de medicamento ou até mesmo um veneno. Nós dependemos do laboratório do Instituto-Geral de Perícias", diz o delegado Cleber Lima.

 

De acordo com o delegado, problemas psicológicos podem ter levado a mãe das crianças a cometer os crimes.

 

"Familiares disseram em depoimento que essa mãe era capaz, realmente, de ter feito essa maldade com as filhas porque ela era completamente desequilibrada. Ela esteve internada em uma clínica psiquiátrica, teve um surto psicótico há cerca de 40 dias, estava há 10 dias com alta, foi para a residência e acabou cometendo esse desatino", afirma Lima.

 

Os familiares teriam dito à polícia que a mulher teria sofrido um abalo psicológico após a morte de um filho, de 22 anos, em Santa Maria em 2022, relacionada com o tráfico de drogas. A mulher, a partir dessa época, teria deixado de ser uma mãe amorosa para as filhas, de acordo com os relatos.

 

O pai das meninas, um homem de 43 anos, não teria envolvimento com o crime, de acordo com a Polícia Civil, que indica que os envenenamentos teriam ocorrido em ocasiões em que ele não estava em casa – no trabalho ou fazendo coisas a pedido da esposa. Em depoimento, ele afirmou que nenhuma das duas meninas tinha problemas de saúde anteriores.




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