Uma mãe amorosa, humilde, generosa e com forte devoção religiosa. Assim os dois filhos mais velhos de Carla Frida Naisk Sanders, encontrada morta após dois dias desaparecida, a descrevem, em entrevista a reportagem. O filho caçula, um jovem de 24 anos, foi preso preventivamente e é apontado pela polícia como o autor do crime. O nome dele não é divulgado oficialmente.
Ele teria confessado informalmente a policiais que matou a mãe e apontado o local onde enterrou o corpo. O caso aconteceu em Cruz Alta, no Noroeste do Rio Grande do Sul.
Carla teve outros dois filhos. A engenheira Danielli Cristina Sanders, de 32 anos, mora com o marido em Minas Gerais e chegou a registrar o desaparecimento da mãe no estado.
"Não sabemos como vai ser, é triste falar isso por que perdemos um irmão e nossa mãe, mas queremos justiça", conta Danielli.
Já Yan Rodrigo Sanders Santos é o filho do meio, tem 29 anos e trabalha como supervisor de loja em Santa Catarina, onde mora com a esposa e o filho pequeno.
"Ela foi uma guerreira, foi batalhadora, foi uma mulher que abriu mão de vaidade, abriu mão de muitas coisas pra correr atrás do propósito dela aqui na terra", conta Yan.
Apesar da distância dos dois filhos mais velhos, que moram em estados diferentes, os dois irmãos contam a que presença da Carla era constante, por vídeochamadas, redes sociais ou visitas.
"A gente tinha conversado agora na última sexta-feira por ligação. Pude ouvir um 'te amo' dela, que foi a última palavra que saiu da boca dela pra mim", conta Yan.
Amor pelos filhos e sonho de inspirar pessoas
Os irmãos explicam que Carla teve uma infância complicada. Após perder a mãe aos sete anos, foi entregue pelo pai a uma família que a maltratava, enfrentou abusos e, ainda muito nova, recebeu o diagnóstico de que não poderia ser mãe. Fato que foi gatilho para Carla tentar tirar a própria vida, como conta a filha.
"(Ela contava) que fez um pedido e uma promessa a Deus, que Ele não deixasse de amar ela por tentar tirar a própria vida e que dessa a ela a oportunidade de ser mãe de uma menina. E conta que prometeu que se isso se realizasse ela iria me criar nos caminhos do Senhor. Deus foi tão bom com ela que ela teve não só a mim, mas três filhos que ela amou incansavelmente, lutou por nós e nos deu tudo que ela nem podia dar", conta Danielli.
A mulher era aposentada por invalidez devido a sequelas de um ferimento no ouvido. Morava em uma chácara na zona rural de Cruz Alta com o filho mais novo e o companheiro, pai do jovem. Lá cultivava frutas e verduras para vender e complementar a renda. Era frequentadora assídua da igreja e rodeada de amigos.
Os filhos de Carla buscam também uma forma de honrar sua memória. Danielli conta que um dos sonhos da mãe era escrever um livro, contando a história que viveu para inspirar pessoas a não desistir. Danielli expressa a esperança de concretizar um dos grande o sonho da mãe.
"Ela deixou cadernos e cadernos de orações. E também uma carta com 38 páginas contando as partes da vida dela que ela gostaria de colocar no livro. Nosso sonho era ver ela realizar isso em vida, mas infelizmente não é mais possível. Mas não vamos deixar esquecido", afirma.
Relação da família com o suspeito
Danielli conta que lamenta não ter percebido antes o que passava entre a mãe e o irmão mais novo. Segundo Danielli, relatos de vizinhos aos irmãos dão conta que o caçula era violento com a mãe, de forma verbal e física.
"Ela nunca nos abandonou em momento algum, inclusive ele. Ela não contava do que acontecia por que sabia que ele poderia ser preso e ela ficar longe dele", conta.
Yan revelou que sua relação com o irmão mais novo se deteriorou ao longo dos anos, especialmente após os 15 anos do suspeito. Segundo Yan, o irmão demonstrava problemas comportamentais e, por isso, ele tentava convencer a mãe a se afastar.