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Em novo caso de golpe do namoro, mulher diz ter perdido R$ 100 mil para réu por estelionato no RS: Ele tem uma lábia muito boa

Polícia investiga caso em Caxias do Sul. Guilherme Selister responde a, ao menos, três processos por enganar namoradas se passando por médico e dizendo sofrer de problemas de saúde. Defesa diz que só se manifesta em juízo

Publicada em 17/02/2023 as 08:24h por G1.globo.com
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 (Foto: G1.globo.com)

Cerca de um ano após as primeiras investigações contra um homem acusado de aplicar o golpe do namoro na Serra do Rio Grande do Sul, novos relatos vêm à tona. Desta vez, uma mulher de Caxias do Sul relata ter perdido cerca de R$ 100 mil após um relacionamento com Guilherme Selister, réu por estelionato em casos semelhantes.

 

O advogado Marcos Peroto, que representa Selister, afirma que se manifesta "apenas em juízo, até em respeito às vítimas, em razão do sigilo".

 

Segundo a mulher, de 32 anos, que prefere não ser identificada, Guilherme fingia ser médico em hospitais de Caxias e Porto Alegre. O relacionamento durou, entre idas e vindas, cerca de dois anos, quando já havia notícias sobre as suspeitas contra o acusado.

 

"Eu pensei que as pessoas mudam e que podem corrigir os erros. Mas ele tem uma lábia muito boa, é um legítimo conquistador", diz.

 

O caso é apurado pela 1ª Delegacia de Polícia de Caixas do Sul. O delegado Vitor Carnaúba confirma que o inquérito está em andamento, mas prefere não dar detalhes em meio às investigações.

 

Nas redes sociais, após a repercussão dos casos, ele passou a utilizar o nome de Guilherme Galante, que, segundo a mulher que denuncia o golpe, seria o sobrenome da família do acusado.

 

Início do namoro

 

Segundo a mulher, o relacionamento com Guilherme começou entre agosto e setembro de 2020, quando eles se conheceram através de um aplicativo de relacionamento. Na sequência, eles trocaram contatos e, semanas depois, tiveram um encontro pessoal em Caxias do Sul.

 

O investigado dizia ser médico-cirurgião em um hospital na Serra e em outro centro de saúde em Porto Alegre. Por conta de supostos plantões, os namorados se encontravam esporadicamente.

 

"Depois do nosso encontro, a gente começou a se ver a cada 15 dias", conta.

 

O relacionamento terminou em dezembro de 2020, por mensagens via aplicativo. De acordo com a mulher, Guilherme dizia que ela não era madura.

 

Ela voltou a procurar Guilherme em abril de 2021, quando reataram o relacionamento. Meses depois, o acusado disse à jovem que estava doente e que precisaria de ajuda financeira dela para custear o tratamento. A história é semelhante às contadas por ele a outras supostas vítimas do golpe.

 

"Pra mim, ele contou a história de que tinha um câncer de testículo. Ele achou um assunto muito fácil pra me iludir", diz a mulher.

 

Pedidos de dinheiro

 

Conforme a vítima do golpe, Guilherme disse que precisaria fazer quimioterapia para tratar do câncer que dizia ter. O suposto médico recusou indicações dela, alegando que preferia fazer o tratamento em São Paulo. Por isso, pediu R$ 16 mil à mulher.

 

"Eu disse: 'Guilherme, é muito caro. Tu consegue tratamento no SUS'", lembra.

 

A mulher diz ter feito um empréstimo bancário para ajudar Guilherme. Foi então que ele manifestou o interesse de formalizar a relação.

 

"Ele agradeceu, disse que nunca imaginou que eu pudesse ajudar ele. Aí ele quis oficializar o namoro, disse que queria conhecer os meus pais. Eu, toda boba, trouxe ele aqui pra casa", afirma.

 

O primeiro encontro com a presença dos pais dela terminou mais cedo. Guilherme foi à casa da família da moça vestindo um uniforme de socorrista do Samu. Ele deixou o local após receber uma suposta ligação urgente, de que deveria voltar ao trabalho, conta a mulher.

 

Depois disso, dois novos empréstimos de R$ 16 mil foram feitos. Os namorados romperam mais uma vez, após ela descobrir que ele tinha fotos com outra mulher.

 

"Eu andei descobrindo umas fotos dele com outra menina e fui tirar satisfação. No dia 1º de novembro de 2021, ele terminou comigo, dizendo que ia me pagar os empréstimos. Pagou só três parcelas", relata.

 

Suspeitas de golpe

 

Em março de 2022, o g1 noticiou o caso. A mulher resolveu perguntar a Guilherme se as suspeitas veiculadas pela imprensa eram verdadeiras. Segundo ela, o falso médico estava morando em Santa Catarina, fugindo da repercussão do caso no RS.

 

"Ele falou: 'não é do tamanho das notícias que estão saindo'. Eu imaginei que ele ia mudar, ele se tornou uma outra pessoa, mais carinhosa, atenciosa. Ele era outro Guilherme", recorda.

 

Após ele ter negado os golpes contra outras mulheres, ela retomou os contatos com Guilherme.

 

"A gente começou a ficar mais próximo novamente e a gente começou a namorar. Nesse meio tempo, eu conheci a família dele", diz.

 

Com as denúncias, Guilherme teria passado a pedir dinheiro para a namorada. Ela diz ter financiado viagens, refeições em restaurantes, custos com os processos, entre outros. Somados aos empréstimos, esses gastos chegam a cerca de R$ 100 mil, segundo a mulher.

 

"Nesse meio tempo, ele disse que conseguiu um emprego de modelo em Santa Catarina. Numa das vezes, eu banquei absolutamente tudo. Entre empréstimos, juros, advogado, viagens, rancho, dá quase R$ 100 mil. Eu tenho empréstimos que vai por mais três anos", conta a jovem.

 

A mulher afirma que quase comprou um carro para Guilherme, quando passou a desconfiar cada vez mais das histórias contadas por ele. Conforme relato dela, até mesmo uma irmã do acusado fez alertas sobre a conduta dele.

 

"Deu um certo tempo e a ficha caiu. Tem alguma coisa errada. Eu comecei a conversar com a irmã dele, e ela me disse que ele não é médico, que ele nunca trabalhou na vida", afirma.

 

O relacionamento, enfim, terminou em dezembro de 2022, quando Guilherme Selister já era réu em três casos. A mulher que afirma ser mais uma vítima do acusado de estelionato busca Justiça, para evitar que outras pessoas sejam enganadas por ele.

 

"Me senti a pior pessoa. Porque eu sou uma pessoa desconfiada de tudo, sou muito cuidadosa. Me senti uma pessoa extremamente idiota, essa é a palavra. Ele consegue envolver a gente de uma maneira. Diz que te ama, que quer construir uma vida contigo", lamenta.

 

Sem expectativa de reverter o dinheiro que perdeu com Guilherme, ela espera a verdade.

 

"Eu nem entrei com processo para receber financeiramente. Eu entrei com um processo pra ele ser preso. Quero que as pessoas saibam quem realmente ele é", diz.

 

Outros casos

 

Em todos os casos, as histórias se repetem de forma parecida. Guilherme Selister manteria relacionamentos amorosos com mulheres dizendo ser médico ou profissional de saúde, como nutricionista, além de militar das Forças Armadas. Alegando problemas neurológicos, ele solicitava dinheiro para custear os supostos tratamentos.

 

Em liberdade, Selister responde a processos em Guaporé, onde ele teria ficado seis meses com uma mulher, recebido dinheiro para custear um suposto tratamento de saúde; em Farroupilha, onde uma mulher relata ter perdido R$ 80 mil para ele; e, em Caxias do Sul, onde outra jovem diz ter perdido R$ 60 mil para o investigado.




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