Ao fim da grande reunião dos bispos católicos, o papa Francisco afirmou que era “urgente” garantir uma maior participação das mulheres na Igreja e pediu que as pesquisas teológicas encomendadas sobre o acesso das mulheres ao diaconato estejam prontas dentro de um ano, quando será realizado um novo encontro.
Depois de um mês de debates a portas fechadas, chegou ao fim o encontro sobre o futuro da Igreja Católica, com a aprovação de um documento de 42 páginas. Cada parágrafo foi aprovado com pelo menos dois terços dos votos, mas aqueles que envolviam as mulheres e o celibato dos padres foram os que mais obtiveram votos negativos. Ainda assim, os organizadores consideraram o encontro um sucesso, uma vez que todos os parágrafos foram aprovados.
O documento ressalta a urgência de “garantir que as mulheres participem dos processos de tomada de decisão e assumam papéis de responsabilidade no cuidado pastoral e no ministério”. Os casos de discriminação no emprego e remuneração injusta também devem ser abordados, inclusive na Igreja, onde “as mulheres consagradas são frequentemente consideradas mão de obra barata”.
Sobre a questão do celibato, o documento diz que os bispos “apreciam seu valor profético e o testemunho de conformação a Cristo; alguns se perguntam se sua adequação teológica com o ministério sacerdotal deve necessariamente se traduzir na Igreja latina em uma obrigação disciplinar, especialmente onde os contextos eclesiais e culturais o tornam mais difícil. Esse não é um tema novo, que precisa ser aprofundado”.
Organizadores e participantes tentaram conter as expectativas de que o documento trouxesse grandes mudanças no que diz respeito alguns temas, como a visão da Igreja sobre a homossexualidade.
“Vocês não estão sozinhas”
O papa Francisco recebeu nessa segunda-feira (30), no Vaticano, um grupo de 50 mulheres que deixaram a máfia e afirmou que elas não estão sozinhas. “Vocês, queridas senhoras, nasceram e cresceram em contextos poluídos pela criminalidade mafiosa e decidiram abandoná-los. Abençoo essa vossa escolha e vos encorajo a seguir em frente. Imagino que haja momentos de medo, de atordoamento… Nesses momentos, pensem no Senhor Jesus que caminha ao vosso lado. Vocês não estão sozinhas, continuem lutando”, declarou o Pontífice.
O argentino aconselhou todas as mulheres, que estavam acompanhadas do padre Luigi Ciotti, fundador do Grupo Abel, a manterem sempre um pequeno Evangelho consigo para ler uma passagem todos os dias, com calma e imaginando estar com o Senhor, em meio aos discípulos.
“E, na realidade, é exatamente assim: Ele caminha conosco todos os dias na estrada da vida. Sua cruz dá sentido às nossas cruzes e sua ressurreição é uma fonte de esperança”, acrescentou o Santo Padre, agradecendo pela visita e assegurando acompanhá-las com a oração.
Francisco lembrou que entre os discípulos de Jesus havia também algumas mulheres, que, como os homens, não eram pessoas perfeitas e “angelicais”.
“Eram mulheres provadas pela vida, às vezes ‘infectadas’ pelo mal. Eram mulheres que Jesus acolheu com compaixão e ternura e as curou. Com Ele, elas fizeram o caminho da libertação. E fizeram isso exatamente caminhando com Ele e com os outros discípulos”, acrescentou.
Por fim, explicou que “é assim que acontece: A pessoa se torna livre não por mágica, mas caminhando com o Senhor, compartilhando seus passos, seu caminho, que necessariamente passa pela cruz e leva à ressurreição”.