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No TikTok, perfis exploram miséria na Cracolândia, no Centro de SP, para ganhar dinheiro e visualizações

Vídeos publicados na rede social somam milhões de interações debochando de usuários de drogas

Publicada em 15/05/2023 as 08:03h por Por Arthur Stabile e Claudia Castelo Branco, g1 SP ? São Paulo
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 (Foto: g1)

Da janela de um prédio localizado numa das ruas por onde se dispersa a Cracolândia, no Centro de São Paulo, um perfil da rede social TikTok faz uma transmissão ao vivo mostrando um grupo de dependentes químicos no local e dissemina fake news como a existência de um auxílio do governo chamado "Bolsa Crack de R$ 700 e pouco".

Não há nenhum auxílio como este do poder público, seja em esfera municipal, estadual ou federal. Seguidores fazem piadas.

O perfil identificado com o nome Jasmine Carter mostra pessoas usando drogas e em situação de vulnerabilidade em busca de engajamento, seguidores e dinheiro. Em uma das transmissões, ela disse que iria jogar moedas pela janela quando atingisse 10 mil seguidores.

 

Ela não conseguiu e teve a conta banida pela rede social na quarta-feira (10), após o conteúdo viralizar no Twitter. "Eu entrei no TikTok a noite bem na hora da live dela, peguei uma parte dela rindo dos usuários sob efeito de K9, e depois comemorando o tanto de views. Saí com a sensação de ter visto um episódio muito triste de Black Mirror", comentou um perfil numa referência à série britânica. O vídeo ao vivo rendeu 250 mil curtidas.

 

  • Com tramas em futuro próximo, "Black Mirror" quase sempre apresenta episódios que abordam aspectos sombrios na vida dos personagens - na maioria das vezes, situações limite provocadas pela tecnologia.

 

O Tiktok recentemente passou a remunerar criadores de conteúdo, mas não abre os valores que circulam pela plataforma. Um recurso em lives permite que os espectadores apoiem seus criadores favoritos, enviando-lhes 'presentes virtuais' que podem ser trocados por dinheiro.

 

 

"A vibe durante o dia também é maravilhosa", ironiza Jasmine sob a trilha da série americana sobre apocalipse zumbis, The Walking Dead.

 

 

Os presentes virtuais são:

 

 

  • Os chamados 'presentes' são uma forma de ganhar dinheiro por meio da plataforma.
  • Usuários podem enviar figurinhas, como - por exemplo - flores, adquiridos na plataforma com moedas pagos por usuários com dinheiro real. O pacote mínimo de moedas do TikTok, com 12 custa R$ 0,90.
  •  
  • Os valores das figurinhas variam de item para item, uma flor custa uma moeda na plataforma, já a figurinha de um buquê de flores, custa 30 moeda
  • O perfil de Jasmine não é o único que busca visualizações mostrando tragédias alheias.

    Um motociclista que filma usuários na Cracolândia usa a música "Ilusão (Cracolândia)", de MC Hariel. "Cena apocalíptica", escreve. Em menos de dois meses, a postagem recebeu 4,6 milhões de visualizações e 223 mil curtidas. Outro, publicado no dia 30 de março, acumula 6,8 milhões de visualizações, 223 mil curtidas e 5,3 mil comentários. "Não é um filme de zumbi, é a Cracolândia no Centro de São Paulo".

    Há também um que exibe Guardas Civis Metropolitanos (GCM) de São Paulo durante ação de rotina na limpeza das ruas em que está a Cracolândia. "Zumbis ladrões na Cracolândia", escreveu sobre as imagens, registradas em um domingo, dia 23 de abril. A publicação recebeu 5,6 milhões de visualizações, 146,9 mil curtidas e 1,2 mil comentários.

     

     

    Para Priscila Akemi Beltrame, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo, é clara a violação aos direitos humanos no conteúdo disseminado pelo perfil na rede social. "A população vulnerável tem direito à privacidade", diz.

     

    Especialistas em direitos humanos veem possível dano moral mesmo após retirada de conteúdo.

    Ao g1, o TikTok afirmou que está comprometido "em defender a dignidade humana individual e garantir que nossa plataforma não seja usada para que se aproveitem de pessoas vulneráveis".

    Sobre como moderam conteúdos, a empresa explicou que além das denúncias, a plataforma utiliza uma combinação de tecnologia e moderação humana. “A plataforma identifica, faz análise e derruba o perfil, em muitos casos o vídeo sequer sobe”. Sobre os limites de monetização de cada usuário, afirmam que não têm acesso a esse tipo de informação.

 




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