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Papa critica a pobreza de seu próprio país, a Argentina, colocando em risco a reeleição de Alberto Fernandez à Presidência da República

A pobreza argentina é menos visível que no Brasil, mas não menos dramática

Publicada em 14/02/2023 as 11:05h por Redação O Sul
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 (Foto: Reprodução/Argentina)

Quando era Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, desde março de 2013 Papa Francisco, visitava com frequência favelas da capital argentina, e tinha especial carinho pela 21-24, localizada no bairro de Barracas. Se tem algo que o Sumo Pontífice domina e sobre o que pode falar com pleno conhecimento é a pobreza em seu país. Talvez por isso, e porque a situação social dos cidadãos mais humildes é assunto sensível para qualquer governo peronista desde a década de 1940, recentes declarações do líder da Igreja Católica sobre os elevados índices de pobreza na Argentina caíram como um balde de água fria na Casa Rosada.

 

Em entrevista, Francisco pontuou que “no ano de 1955, quando terminei o Ensino Médio, a pobreza no país era de 5%. Hoje, está em 52%. O que aconteceu? Má administração, políticas ruins?”. E ainda classificou a taxa de inflação de quase 100% ao ano de “impressionante”.

 

Se para qualquer governo peronista as palavras de Francisco teriam causado profundo mal-estar, no de Alberto Fernández, que sonha em disputar a reeleição em outubro, foram um revés não só inesperado como difícil de digerir. O chefe de Estado argentino sempre exibiu sua proximidade com o Papa, o visitou várias vezes e o citou em diversos discursos. Hoje, não está claro para o governo argentino se Francisco falou sobre os alarmantes indicadores de pobreza com algum objetivo específico, ou se foi apenas um desabafo do argentino que sofre por seu país de origem.

 

Posteriores declarações de Fernández deterioraram ainda mais a imagem do chefe de Estado. Perguntado sobre a inflação, o presidente disse que “as queixas que ouço são pelas filas para ir comer fora, as pessoas esperam duras horas”. De fato, nos restaurantes de bairros mais ricos, como Palermo, Recoleta e Porto Madero, muitas vezes é preciso aguardar para entrar. Mas essa é a realidade, muito relacionada ao crescimento do turismo por conta da desvalorização do peso, de um percentual mínimo de argentinos.

 

Ajuda para comer

 

Na favela 21-24, as palavras de Francisco foram recebidas como um sinal de que, mesmo a milhares de quilômetros de distância e do alto da cúpula da Igreja Católica, o Papa continua atento à situação social argentina. Em sua pequena sala da paróquia local, o padre Toto Vedia diz que “o que Francisco afirmou nos representa, sentimos exatamente a mesma coisa. A pobreza só aumenta e as necessidades das pessoas mais humildes cada vez maiores”.

 

Turistas brasileiros costumam ficar surpresos ao não verem pobres nas ruas da capital argentina, como se observam no Rio e São Paulo. A pobreza argentina é menos visível, mas não menos dramática. Como explica Agustin Salvia, diretor do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), as maiores taxas de pobreza estão na Grande Buenos Aires.

 

De acordo com dados do observatório, uma das fontes mais confiáveis na Argentina para indicadores sociais, a pobreza na capital atinge 12,7%, bem abaixo dos 46,5% registrados em seu entorno. Em alguns distritos localizados a poucos quilômetros da capital, essenciais para se vencer uma eleição na Argentina, 74,9% dos moradores vivem abaixo da linha de pobreza. São os cidadãos mais marginalizados da sociedade, que dependem de programas de ajuda social.




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