O desespero dos pais quando sabem que a esposa está em trabalho de parto é um clássico. Mas Rivas Santana Carneiro, 28, um pai do interior da Bahia, que se mudou recentemente para São Paulo, foi além. A aceleração foi tanta, que ele pegou as bolsas, a cadeirinha, colocou tudo no carro, deu a partida e... esqueceu a esposa, grávida de gêmeas, na frente de casa. A cena, compartilhada em seu Instagram, divertiu a internet.
É claro que, em poucos instantes, o marido percebeu e deu ré para pegar a nutricionista Joyceane Santos Matos, 27. Ela estava grávida de gêmeas, porém, só uma das meninas sobreviveu. Em entrevista a CRESCER, Rivas contou que, na volta do trabalho, recebeu uma mensagem de Joyceane, dizendo que tinha tido um pequeno sangramento, com escape de líquido. O casal achou que a bolsa tinha estourado e, por isso, correu para o hospital.
Na ocasião, ela estava com 39 semanas. “A gravidez gemelar é uma gravidez de risco”, diz o pai. Por isso, eles estavam muito alertas. “Na hora, ela estava mais tranquila – pelo menos, mais do que eu, que a esqueci”, lembra ele. “Nosso plano era realmente chegar quanto antes no hospital para saber o que estava acontecendo”, acrescente. Por fim, quando conseguiram ver os médicos, descobriram que a bolsa ainda não tinha rompido e que o sangramento poderia ter acontecido devido às contrações.
Joyceane esperava Maria Júlia e Maria Luiza, duas bebês em bolsas e placentas separadas. “Durante o pré-natal, a equipe médica já tinha apontado que a Maria Luiza estava se desenvolvendo de forma mais lenta do que Maria Júlia”, diz o pai. A situação estava sendo monitorada. Porém, na hora do parto, houve uma complicação e Maria Luiza teve anoxia intrauterina, que é a falta de oxigênio para o bebê. A pequena não resistiu e foi a óbito.
Tudo isso aconteceu no dia 13 de janeiro deste ano e o pai só fez a publicação mais de um mês depois. “Entramos em um consenso de que publicar, naquele momento, não amenizaria nosso luto. Então, preferimos ficar na nossa, curtir a Maria Júlia, que estava com saúde e que estava aqui com a gente”, diz ele. A bebê precisou ficar na UTI Neonatal durante seis dias. “A Maria Júlia tirou um pouco da atenção do luto em si, né? Focamos em cuidar dela, ver como estava, dar atenção da melhor forma possível”, desabafa Rivas. Para ele, tocar no assunto é doloroso. “Mas acredito que nada vem em vão. Tudo tem um propósito. Nos apegamos a isso”, afirma.