Nesta sexta-feira (22), completam-se exatos 90 dias do trágico acidente que mudou radicalmente a vida da triatleta Luisa Baptista e de sua família. No entanto, esse mesmo período também simboliza uma jornada de evolução e esperança na recuperação da medalhista de ouro do Pan 2019.
Em 23 de dezembro de 2023, Luisa foi atropelada por um motociclista sem habilitação na Estrada Municipal Abel Terrugi (SCA-329), no distrito Santa Eudóxia, em São Carlos (SP), enquanto pedalava com outros ciclistas. Ela teve múltiplos ferimentos, além de fraturas na tíbia e fêmur.
Desde então, ela já passou por sete cirurgias, ficou em coma e ainda continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) - agora no Hospital São Luiz Itaim, na capital paulista.
Luisa agradece torcida no hospital
Na primeira entrevista após o acidente, Luisa agradeceu a todos que esperavam pela sua recuperação. A família acredita que ela terá alta na próxima semana, segundo informações passadas pelos médicos.
"Quero agradecer todo mundo que ficou na torcida [pela recuperação]. Muito obrigada a todos vocês. Obrigada pela torcida, pelas orações e por quem está acompanhando, um beijo", disse Luisa em sua primeira entrevista depois do acidente.
A mãe, que mora em Araras (SP), parou de trabalhar, se mudou para o quarto de hospital e se dedica integralmente aos cuidados da filha. Já o irmão e o pai continuam no interior, mas viajam todos os fins de semana para a capital para visitarem a triatleta.
O quarto da triatleta no hospital está cheio de fotos e presentes enviados por amigos e fãs do Brasil todo. Luisa está confiante na recuperação total. "Sonhou que estava pedalando, que estava pulando da cama e que o Vitor (irmão) era o único que tinha juízo e que não queria que ela saísse da cama", lembrou a mãe Jaqueline Baptista Duarte.
Luísa Baptista durante vídeo chamada com o pai e o irmão — Foto: Ely Venâncio/EPTV
ECMO, o pulmão artificial no tratamento
Para ajudar na recuperação, ainda internada na Santa Casa de São Carlos, Luisa foi submetida a Oxigenação por Membrana Extracorpórea Pulmonar (ECMO), que é uma técnica avançada de suporte vital usada em pacientes com insuficiência respiratória aguda grave que não respondem adequadamente a outros tratamentos, como a ventilação mecânica convencional.
A médica Ludhmila Abraha?o Hajjar, do Hospital das Clínicas da USP, ficou sabendo do caso de Luísa pela imprensa e entrou em contato com a família para poder ajudar.
Tratamento por ECMO — Foto: Divulgação/Hospital Cirurgia
"Nós entendemos que a única saída naquele momento [para a Luisa] seria colocar o pulmão artificial, que é a ECMO e tentar transportá-la para um centro que tem uma medicina de maior complexidade que é, indiscutivelmente, o Hospital das Clínicas na cidade de São Paulo que é referência para o Brasil todo no tratamento de paciente vítima de trauma", disse.
O procedimento ECMO pulmonar envolve a circulação do sangue do paciente através de um circuito externo ao corpo, que inclui uma bomba para movimentar o sangue e um oxigenador (membrana) que troca gases - oxigênio é adicionado ao sangue, e o dióxido de carbono é removido.
O sangue, agora rico em oxigênio, é então retornado ao corpo, ajudando a manter níveis adequados de oxigênio nos órgãos e tecidos, mesmo quando os pulmões estão comprometidos e não conseguem realizar essa função eficazmente.
A triatleta se preparava para as Olimpíadas de Paris neste ano, mas o sonho foi adiado. Agora, ela já pensa em realizá-lo no Pan-americano de 2027. "Eu tenho certeza que nós vamos conseguir. Ela é muito forte, ela sairá muito fortalecida de tudo isso que aconteceu", disse Ludhmila.