O início da vida sexual é o mergulho profundo em emoções diferentes, principalmente para as mulheres. Com Amanda Braz, 23, não foi diferente. Só que se o momento já é naturalmente carregado de inseguranças, isso se potencializou para a estudante de medicina que sofria com tocofobia - nome dado ao medo intenso de engravidar.
“Por medo de engravidar, mesmo me protegendo de todas as maneiras possíveis, terminava a relação e ia checar a camisinha. Eu a enchia de água e apertava para ver se não tinha nenhum furo. Fazia isso todas as vezes”, lembra.
A psicóloga e psicanalista Luciana Inocêncio, especialista em sexualidade, explica que a tocofobia é citada como um transtorno psíquico desde 2000. Na época, um estudo sobre o tema foi publicado no British Journal of Psychiatry, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
A pesquisa classificou a tocofobia em primária quando atinge mulheres que nunca engravidaram, mas possuem aversão à ideia de gerar um bebê. Já a secundária corresponde a mulheres que gestaram, mas têm um pavor intenso, persistente e irracional em relação ao parto.
Os sinais da tocofobia
De acordo com a psicóloga Beatriz Faria, que também é sexóloga pelo Instituto Paulista de Sexualidade, a tocofobia faz com que a pessoa busque medidas extremas para evitar a gravidez. “Como combinar métodos contraceptivos e ainda tomar a pílula do dia seguinte (que não deve ser usada com frequência)”, detalha.
Braz, por exemplo, relata que usava o DIU de cobre, que possui 99,4% de eficácia, combinado com preservativo e coito interrompido em todas as relações. “Além disso, eu fazia teste de gravidez toda semana. E, caso eu pensasse que o universo estava me dando um sinal de que estava grávida, fazia outro”, lembra.
A estudante de medicina pensava que ver mulheres gestantes com frequência em lugares públicos era um indicativo de que ela podia estar esperando um bebê. O mesmo acontecia caso alguém dissesse que havia sonhado com ela grávida.
“As possibilidades causais de uma mulher desenvolver tocofobia variam desde vivências de abuso sexual, relacionamentos tóxicos, e violência doméstica, assim como histórico de transtornos mentais, como depressão e ansiedade, até perdas gestacionais”, enumera Inocêncio.
As consequências da tocofobia
Faria explica que o medo patológico de engravidar pode fazer com que a mulher diminua a frequência das relações sexuais, por exemplo. Mesmo que elas sejam mantidas apenas com o mesmo parceiro, de longa data.
“Cheguei a cogitar fazer isso porque eu vivia uma época que já havia uma pressão muito grande para eu passar na faculdade e juntava esse receio que era uma preocupação a mais”, lembra Braz sobre o início da sua vida sexual com 18 anos.