O ex-presidente Jair Bolsonaro criticou as recentes declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em que o líder da legenda elogia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma entrevista. Um vídeo que circula nas redes sociais desde o início da semana mostra o ex-chefe do Executivo em conversa com apoiadores em Angra do Reis, na região dos Lagos do Rio de Janeiro, indignado com os elogios de Valdemar ao atual mandatário.
De acordo com Bolsonaro, “declarações absurdas” de “uma pessoa do partido” podem implodir a sigla. O ex-chefe do Executivo não cita o nome de Valdemar, mas as críticas ocorrem logo após a divulgação de um trecho de uma entrevista em que Valdemar Costa Neto elogia o petista.
“Tudo na vida eu puxo um pouquinho para vida familiar de cada um de nós, né? Problemas têm. Essa semana tive um problema sério, não vou falar com quem… ‘Ó, se continuar assim, você vai implodir o partido’. Pessoa do partido dando declaração absurda. Como ‘o Lula é extremamente popular’. Manda ele vir tomar um 51 ali na esquina. Não vem”, disse Bolsonaro.
“Um rombo de quase R$ 200 bilhões. Essa conta quem vai pagar são vocês”, disse Bolsonaro em conversa com apoiadores. Ele publicou o vídeo do encontro nas suas redes sociais. “Nós estamos no mesmo barco, pessoal. Se alguém porventura aqui votou no PT, pode ser que exista: não dá para comparar, eu posso ser um cara horrível, mas o outro cara é péssimo”, acrescentou o ex-presidente.
Na entrevista concedida por Costa Neto ao jornal regional O Diário, do Interior de São Paulo, o presidente do PL disse que Lula tem “prestígio” e Bolsonaro, “carisma”, e acrescentou que não há comparação” entre o petista e o ex-presidente. Segundo ele, Bolsonaro é “mil vezes” mais difícil de lidar porque ele “não é uma pessoa igual a nós”.
Após a repercussão negativa entre apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, Valdemar Costa Neto se defendeu nas redes sociais das críticas. “Estão me atacando usando uma fala minha sobre o Lula que está fora de contexto”, disse o dirigente partidário da legenda que abriga Bolsonaro.
Em suas redes sociais, Valdemar disse ser leal a Bolsonaro e fiel aos seus princípios. “Quem não tem lealdade e fidelidade, tem vida curta na política”, acrescentou.
O ex-presidente está inelegível até 2030. Ele foi condenado duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A primeira, em junho, por uso indevido dos meios de comunicação durante reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada em 2022, na qual fez críticas às urnas eletrônicas. A segunda condenação ocorreu em outubro, devido a abuso de poder político e econômico nas comemorações do bicentenário da Independência.