Durante a gestão Jair Bolsonaro (PL), o general da reserva Mauro Lourena Cid ocupou um cargo na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) nos Estados Unidos. No cargo, ele recebia salário de aproximadamente R$ 63 mil.
O militar é pai do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordem de Bolsonaro. Ambos foram alvos de operação deflagrada na sexta-feira (11) que investiga a venda ilegal de joias recebidas como presente pelo então presidente em uma viagem oficial.
Com a autorização do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão. A suspeita é que um grupo do entorno de Bolsonaro tenha cometido os crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
Eles são suspeitos de vender e, depois recomprar, joias que foram dadas Bolsonaro. A recompra ocorreu para cumprir uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou a devolução dos objetos ao patrimônio público.
Colega de Aman
Pai do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cesar Lourena Cid foi colega do ex-presidente nas turmas de cadetes da Academia Militar de Agulhas Negras (Aman), em Resende, no sudoeste do Rio, nos anos 1970.
Tido por outros militares como discreto e de personalidade conciliadora, o general dirigiu o Departamento de Educação do Exército e passou à reserva em 2019 para assumir um cargo em Miami, nos Estados Unidos, no início do governo Bolsonaro.
Ele foi escalado pelo velho colega de Aman para chefiar o escritório brasileiro da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Ele ficou no posto até o início deste ano.
Reflexo
Uma das fotos utilizada para negociar a venda de joias recebidas como presente oficial pelo governo federal revela o rosto do general Lourena Cid no reflexo da caixa.
A investigação da PF revelou conversas datadas de 4 de janeiro deste ano, nas quais Mauro Cid pediu para que o pai tirasse foto das joias. Em seguida, ele manda as fotos de dois objetos: uma palmeira e um barco dourados.
A apuração tenta descobrir se os valores obtidos da comercialização desses objetos teriam sido convertidos em dinheiro vivo e “ingressaram no patrimônio pessoal dos investigados, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores”.
A operação foi batizada como “Lucas 12:2″, em referência a versículo da Bíblia, cujo trecho diz: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”.
Em nota, os advogados de Bolsonaro afirmaram que o ex-presidente “jamais apropriou-se ou desviou quaisquer bens públicos”.