A palavra “obstetrícia” tem origem do verbo latim “obstare”, que significa “estar ao lado”, fazendo referência a um dos momentos mais importantes da mulher, que é dar à luz. Também faz parte do juramento do médico exercer a profissão com caridade.
E assim, mostrando o dia a dia nos hospitais, com empatia e um atendimento humanizado, o ginecologista Paulo Favini tem feito sucesso nas redes sociais.
Apelidado como Dr. Cegonho, ele já reúne mais de 26,1 mil seguidores no Instagram e quase 130 mil no TikTok. Bem humorado, grava vídeos com as pacientes, mas também usa o canal para disseminar informações sobre saúde da mulher, assim como planejamento familiar.
Natural de Guarulhos (SP), ele está no Acre há 22 anos e perdeu as contas de quantos partos já fez. O profissional disse que chegou ao estado a convite de um amigo e ficou desde então.
“Já posso dizer que sou acreano de coração ou até mesmo naturalizado, porque tenho o título de cidadão acreano, então já faz uns 22 anos que estou por aqui.
Comecei pela cidade de Mâncio Lima e depois mudei para Rio Branco, ainda funcionário do estado, e por aqui fui ficando. As coisas foram acontecendo”, relembra.
Ele também é preceptor do curso de residência médica do estado na especialidade de ginecologia e obstetrícia e professor substituto da Universidade Federal do Acre (Ufac).
O médico conta que teve a ideia de gravar os vídeos porque ouvia, muitas vezes, as pessoas criticando o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, explica que essa foi a maneira que ele achou de se aproximar do paciente e mostrar que o médico não está em um pedestal.
“Todo mundo acaba falando mal do SUS e, muitas vezes, com razão. Mas, surgiu a ideia de eu mostrar esse tratamento diferenciado, humanizado, com empatia, com carinho, com tudo isso, e ainda recheado com uma pitadinha de humor para que possa quebrar o gelo. Isso ajuda na proximidade da relação médico-paciente, quebrando um pouco desse paradigma de que o médico é um deus e sim demonstrar ao paciente que o médico está próximo, como prega a palavra obstetrícia”, diz.
A intenção desse acolhimento, segundo o médico, é que a paciente tenha uma boa lembrança de como foi seu parto, já que é um dia tão marcante para a mulher.
“Sempre digo nos vídeos que o parto pode ser um momento marcante, um momento mágico, mas que pode ser traumático, pode ser um momento horrível, dependendo da forma que ele é conduzido. Não só pelo médico, mas toda equipe. Então tento mostrar também que no SUS pode ser diferente, pode haver um tratamento humanizado.”
Os vídeos fazem sucesso. Um deles, em que o médico aparece massageando uma paciente antes do parto, chegou a mais de 9 milhões de visualizações em uma rede e em mais de 2 milhões em outra.