O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) busca se distanciar do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) para evitar mais desgaste em sua campanha.
O chefe do Executivo e o petebista têm, no entanto, relação de aliança com altos e baixos. No domingo (23.out), Bolsonaro repudiou a ação armada do ex-deputado contra agentes da PF (Polícia Federal) e disse que o petebista agiu como “bandido”. Em entrevista à Record TV, Bolsonaro negou que “passou pano” para Jefferson e tentou associar o ex-deputado a Lula (PT) ao citar o Mensalão.
O presidente também negou ter fotos com o ex-deputado, mas recebeu o político no Planalto ao menos 4 vezes durante seu mandato como presidente. Registros dos encontros foram publicados por Jefferson em seus perfis nas redes sociais.
Em 2021, o ex-deputado e Bolsonaro negociaram uma possível filiação do presidente ao PTB para disputar a reeleição. O acordo não avançou e o chefe do Executivo acabou fechando com o Partido Liberal, sigla a qual se filiou em 30 de novembro do ano passado.
Antes, os 2 políticos foram colegas de partido entre 2003 e 2005. Durante 4 mandatos consecutivos, de 1991 a 2006, Bolsonaro e Jefferson foram deputados juntos na Câmara dos Deputados.
O apoio de Jefferson a Bolsonaro ficou mais explícito no 2º ano de governo do presidente. O ex-deputado foi recebido por Bolsonaro ao menos 4 vezes entre setembro de 2020 e maio de 2021. Mas, depois de formalizar convite para Bolsonaro integrar seu partido, Jefferson criticou e acusou Bolsonaro de estar viciado “nas facilidades do dinheiro público”.
Jefferson revelou o esquema do Mensalão em 2005. Tratava-se de pagamentos regulares e secretos feitos a congressistas que em troca davam apoio ao governo do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Jefferson disse que o então ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), era o mentor do esquema. Dirceu e Jefferson foram cassados.
O caso do Mensalão foi usado de maneira intensa quando se elegeu, em 2018, para contrapor a Lula. Em 2012, Jefferson foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 7 anos e 14 dias de prisão no julgamento do caso do Mensalão. Nas eleições de 2018, no 2º turno, o PTB decidiu apoiar Bolsonaro.
Na época, o partido liderado por Jefferson divulgou a favor do então candidato pelo PSL ao Planalto, dizendo que Bolsonaro ajudaria o país voltasse “aos trilhos do desenvolvimento social e econômico, e pela pacificação e união do povo brasileiro”.
Nas eleições de 2018, no 2º turno, o PTB decidiu apoiar Bolsonaro. Na época, o partido liderado por Jefferson divulgou a favor do então candidato pelo PSL ao Planalto, dizendo que Bolsonaro ajudaria o país voltasse “aos trilhos do desenvolvimento social e econômico, e pela pacificação e união do povo brasileiro”. No 2º ano do governo Bolsonaro, Roberto Jefferson se tornou apoiador com opiniões mais radicais.
Em relação à pauta armamentista, por exemplo, protagonizou mudança de opinião. Em 1998, defendeu proposta de desarmamento em sua campanha eleitoral. Já no governo Bolsonaro, em abril de 2021, incentivou o uso de armas de fogo. O ex-deputado também intensificou críticas a ministros do STF –que também são alvos de queixas de Bolsonaro–, o que resultou em sua prisão em 2021. O fato foi um dos que contribuiu para o presidente reforçar críticas à Corte e pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
QUEM É ROBERTO JEFFERSON
Roberto Jefferson Monteiro Francisco tem 69 anos. Nasceu em Petrópolis (RJ) e é advogado de formação. Ganhou notoriedade atuando na TV. Em 1980, esteve no programa popular “Aqui e Agora” da já extinta TV Tupi. Depois, atuou na sucessora da Tupi, a TVS (atual SBT, do empresário Silvio Santos). Famoso, elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro, em 1982 e teve mandatos até 2005, quando foi cassado por envolvimento no escândalo do Mensalão.
Leia fatos da linha do tempo da carreira de Roberto Jefferson
1983 a 1992 – Jefferson e seu partido, o PTB, deram apoio aos governos dos presidentes José Sarney (PMDB) e Fernando Collor (que foi eleito pelo hoje extinto PRN);
1991 a 2006 – Bolsonaro e Jefferson são colegas na Câmara dos Deputados durante 4 mandatos seguidos;
fev.2003 a jul.2004 – Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, tem cargo comissionado na liderança do PTB na Câmara dos Deputados;
2003 a 2005 – Bolsonaro é filiado ao PTB;
2005 — cassado por causa do Mensalão. O esquema foi revelado pelo próprio Jefferson: havia pagamentos regulares e secretos feitos a congressistas que em troca davam apoio ao governo do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Jefferson disse que o então ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), era o mentor do esquema. Dirceu também foi cassado;